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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eutanásia... A favor ou contra?

   Este foi um desafio colocado pela Lúcia do blog "Entre Tentações" , escrever uma opinião sobre a Eutanásia (morte medicamente assistida) e eu como gosto de desafios, aceitei :)

   Dando uma definição mais completa, a Eutanásia é a prática pela qual se acaba com a vida de uma pessoa, que possui uma doença incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.

   Basicamente, eu sou a favor que a Eutanásia faça parte da lei nacional... 

   Vamos pôr isto por termos, quando o doente está consciente e ciente da sua situação de doença terminal ou de outra situação irreversível, acho que as opções devem ser muito mais abrangentes e dar-lhe a margem de escolha que possa facilitar o livre-arbítrio da tomada da sua decisão. Independentemente, de estarmos a falar em situações de este ser um caminho que evite o sofrimento e a dor das pessoas, que se encontram em fase terminal da doença, eu acho que o que está acima de tudo isto é a dignidade do doente. O doente merece ser ouvido (em caso de perceção da sua condição), se  não for este o caso, existe um segundo elemento (a família) que tomará a melhor decisão possível pela integridade e pela qualidade de vida do seu familiar nesta situação.
    Quanto mais se respeitar e se aumentar a margem de escolha do doente, mais qualidade vida lhe oferecemos e mais ética e coerência mostra a legislação face ao doente.
   
     Porque o que está em causa é o final de um projeto de vida e se existe "o tal respeito pela vida humana" que os opositores desta opção da morte medicamente assistida defendem, a vida humana sai muito mais valorizada se a sua vontade for prioridade, em vez de se submeter a uma legislação unidireccional....




domingo, 14 de outubro de 2012

A Nostalgia da Infância por Ricardo Esteves


Um grande texto feito por Ricardo Esteves, o rapaz que vai gravar a música de natal da Worten com o Vasco Palmeirim. Identifiquei-me com o que ele escreveu e achei que devia partilhá-lo com vocês *



"Se, aqui há uns anos atrás, quando eu tinha 9 anos, alguém me tivesse dito: "daqui a uma década vais sentir falta de tudo isto, e vais querer arranjar todo o dinheiro do mundo para poderes comprar de volta apenas 5 minutos da tua infância, para que possas reviver com uma enorme nostalgia aquilo que estás a sentir agora", eu não acreditava. 

Não acreditava, ignorava, virava costas e continuava a brincar com os meus Tazos e com as minhas cartas de Pokémon; continuava a conquistar a Pokéliga no Gameboy Color (salvando o jogo sempre com muito cuidado entre cada treinador, de 3 em 3 minutos, não fosse a pilha dar o berro); a jogar SuperMario na consola da Nintendo; a ver o Doraemon e o Nobita, o Mickey e o Pateta, o Art Attack e todos os outros programas do Disney Channel ou do Canal Panda; a ver o Dexter e as Powerpuff Girls no Cartoon Network, mesmo sem perceber nada do que eles estavam para ali a dizer; continuava de volta dos meus Playmobil e dos meus Legos, dos carrinhos da Hotwheels e da Playstation, sempre de nível em nível a colher gemas e relíquias no "Crash Bandicoot" - isto, tudo ao mesmo tempo. Sim, porque na altura eu tinha tempo para tudo. Tinha inclusive tempo para ver e rever todos os meus filmes preferidos da Disney, fosse o "Hércules", o "Papuça e o Dentuça", o "Rei Leão" ou o "Pinóquio". Pouco depois vieram os que depressa ficaram no grupo dos grandes clássicos e favoritos: o "Toy Story", o "Peter Pan", os "101 Dálmatas" e, uns anos mais tarde, animação para tardes inteiras, depois das aulas, com a Kim Possible, a Lilo e o Stich, o Timón e o Pumba, entre muitos outros que vieram, ficaram, mas nunca partiram. E ainda bem que assim foi.


Confesso que este é, para mim, um momento muito delicado. Um momento em que não só me estou a relembrar de coisas que marcaram a minha infância e a minha vida, mas também a fazer um esforço para conter lágrimas de incerteza (não sei se são de felicidade por ter tido uma infância em cheio ou de tristeza por esta já ter acabado com a certeza de que nunca mais voltará).

Restam-me muitas dúvidas, sendo que uma das maiores é em relação ao porquê de eu estar a escrever isto. Não sei se é desabafo ou se é impulso, mas certamente que vale bem a pena relembrar cada segundo da minha infância que me marcou eternamente, quer uma memória feliz, quer um sorriso na cara de cada vez que penso nela.

Aos poucos vou-me tornando um homem adulto, mas com passinhos muito curtos e covardes, com medo de avançarem e de deixarem pegadas que irão inevitavelmente ser preenchidas a seguir, por outras crianças. Aos poucos lá me vou despegando, mas sempre com muita pena de tudo o que vou ter de deixar para trás.

De vez em quando lá experimento jogar a última versão do Pokémon, para ver o que estragaram ao longo dos anos e para testar a minha memória - "ei, como é que este se chamava?" Mas ainda sei de cor todas as vantagens e as fraquezas que determinados tipos de Pokémons têm sobre outros: ainda me lembro que Grass perde com Ice, Dark derrota Psychic e Ground é inútil contra Flying, mas um do tipo Electric já dá cabo dele.

Uma vez por outra também pego no comando e jogo GTA em 2D, enquanto sinto à flor da pele o que é fugir à polícia e ao exército, com 6 estrelas no canto do ecrã, pelas ruas da célebre metrópole de Liberty City. Foi também por volta dessa altura que comecei a jogar Sims: o simulador virtual que abriu uma data de portas e janelas (literalmente) à minha imaginação.

E claro que nunca me vou esquecer do Spyro, das demos que saíam com a revista da Playstation, todos os meses (onde experimentei pela primeira vez o jogo do Spiderman, numa cidade sem chão), do primeiro "Crazy Taxi" ou até mesmo do "Starsky & Hutch" no seu Ford Gran Torino vermelho com risca branca, à paisana.


Mas enfim, acho que já me conformei com a ideia de que tudo isto nunca mais voltará, e que agora, cada dia é só mais um empurrãozinho nestas memórias para o fundo da gaveta.!