quarta-feira, 3 de outubro de 2012

IKEA apaga mulheres nos seus catálogos



   Pelo menos desde 2010 que o Ikea não publica na edição saudita do seu catálogo imagens com mulheres, apurou o Expresso.
   Comparando as edições em língua inglesa e portuguesa dos catálogos do Ikea de 2010, 2011 e 2012 com aquelas que foram publicadas na Arábia Saudita, verifica-se uma substituição sistemática das imagens onde surgem mulheres por outras onde não há ninguém ou apenas homens.
   A situação foi denunciada esta segunda-feira pela edição sueca do jornal "Metro" que se referia apenas à edição deste ano, e já obrigou a multinacional de mobiliário e decoração, presente em 38 países, a pedir publicamente desculpas.
   O diário sueco comparou imagens idênticas numa espécie de "descubra as diferenças" e levantou dúvidas quanto ao compromisso do Ikea face à igualdade de género já que todas as mulheres que apareciam nas fotografias do catálogo sueco foram apagadas na versão saudita.
   "Nós devíamos ter reagido e percebido que a exclusão das mulheres na versão do catálogo para a Arábia Saudita entra em conflito com os valores do Ikea", disse o porta-voz do grupo Josefin Thorell ao jornal "Metro".




Opinião: 
   
   Eu acho toda esta situação é lamentável, porque não se trata apenas de mais uma situação de desrespeito e de exclusão da mulher, num país do Islão. Esta atitude foi tomada por parte de uma empresa ocidental onde, à partida, este tipo de conduta é reprovável e incompreensível desde dos primórdios do século passado.
Não existiu sensibilidade da parte da Marca Sueca para tratar desta situação, contudo existiram logo reações provenientes do país nórdico, a ministra sueca do Comércio, Ewa Björling, reagiu em comunicado: "Não se pode remover ou suprimir mulheres da realidade. Se a Arábia Saudita não autoriza que as mulheres sejam vistas, ouvidas ou que trabalhem, está a deitar metade do seu capital intelectual para o lixo". Houve quem classifica-se este incidente (e bem) de "Medieval"!

   Na Arábia Saudita, um dos regimes mais fechados do mundo, as mulheres continuam a lutar por direitos básicos. Não podem, por exemplo, conduzir, nem viajar sozinhas, não podem estudar sem permissão, são incitadas a cobrir o corpo e os cabelos e estão proibidas de conviver livremente com homens.

   Esperemos que o mundo dê o seu contributo, para as mulheres serem tratadas de igual para igual, nesta cultura de um machismo sem precedentes!















2 comentários:

Carolina disse...

Como são da Arábia Saudita, estas imagens não me surpreendem... Claro que é errado e é exclusão e discriminação mas a verdade é que as mulheres lá usam burka e as mulheres dos catálogos estão a "quebrar essa regra" pelo que percebo porque as tiraram de lá, apesar de não concordar com nada disto!

miii disse...

É lamentável. E a minha apresentação oral de português vai ser exatamente acerca desta situação! (: