domingo, 14 de outubro de 2012

A Nostalgia da Infância por Ricardo Esteves


Um grande texto feito por Ricardo Esteves, o rapaz que vai gravar a música de natal da Worten com o Vasco Palmeirim. Identifiquei-me com o que ele escreveu e achei que devia partilhá-lo com vocês *



"Se, aqui há uns anos atrás, quando eu tinha 9 anos, alguém me tivesse dito: "daqui a uma década vais sentir falta de tudo isto, e vais querer arranjar todo o dinheiro do mundo para poderes comprar de volta apenas 5 minutos da tua infância, para que possas reviver com uma enorme nostalgia aquilo que estás a sentir agora", eu não acreditava. 

Não acreditava, ignorava, virava costas e continuava a brincar com os meus Tazos e com as minhas cartas de Pokémon; continuava a conquistar a Pokéliga no Gameboy Color (salvando o jogo sempre com muito cuidado entre cada treinador, de 3 em 3 minutos, não fosse a pilha dar o berro); a jogar SuperMario na consola da Nintendo; a ver o Doraemon e o Nobita, o Mickey e o Pateta, o Art Attack e todos os outros programas do Disney Channel ou do Canal Panda; a ver o Dexter e as Powerpuff Girls no Cartoon Network, mesmo sem perceber nada do que eles estavam para ali a dizer; continuava de volta dos meus Playmobil e dos meus Legos, dos carrinhos da Hotwheels e da Playstation, sempre de nível em nível a colher gemas e relíquias no "Crash Bandicoot" - isto, tudo ao mesmo tempo. Sim, porque na altura eu tinha tempo para tudo. Tinha inclusive tempo para ver e rever todos os meus filmes preferidos da Disney, fosse o "Hércules", o "Papuça e o Dentuça", o "Rei Leão" ou o "Pinóquio". Pouco depois vieram os que depressa ficaram no grupo dos grandes clássicos e favoritos: o "Toy Story", o "Peter Pan", os "101 Dálmatas" e, uns anos mais tarde, animação para tardes inteiras, depois das aulas, com a Kim Possible, a Lilo e o Stich, o Timón e o Pumba, entre muitos outros que vieram, ficaram, mas nunca partiram. E ainda bem que assim foi.


Confesso que este é, para mim, um momento muito delicado. Um momento em que não só me estou a relembrar de coisas que marcaram a minha infância e a minha vida, mas também a fazer um esforço para conter lágrimas de incerteza (não sei se são de felicidade por ter tido uma infância em cheio ou de tristeza por esta já ter acabado com a certeza de que nunca mais voltará).

Restam-me muitas dúvidas, sendo que uma das maiores é em relação ao porquê de eu estar a escrever isto. Não sei se é desabafo ou se é impulso, mas certamente que vale bem a pena relembrar cada segundo da minha infância que me marcou eternamente, quer uma memória feliz, quer um sorriso na cara de cada vez que penso nela.

Aos poucos vou-me tornando um homem adulto, mas com passinhos muito curtos e covardes, com medo de avançarem e de deixarem pegadas que irão inevitavelmente ser preenchidas a seguir, por outras crianças. Aos poucos lá me vou despegando, mas sempre com muita pena de tudo o que vou ter de deixar para trás.

De vez em quando lá experimento jogar a última versão do Pokémon, para ver o que estragaram ao longo dos anos e para testar a minha memória - "ei, como é que este se chamava?" Mas ainda sei de cor todas as vantagens e as fraquezas que determinados tipos de Pokémons têm sobre outros: ainda me lembro que Grass perde com Ice, Dark derrota Psychic e Ground é inútil contra Flying, mas um do tipo Electric já dá cabo dele.

Uma vez por outra também pego no comando e jogo GTA em 2D, enquanto sinto à flor da pele o que é fugir à polícia e ao exército, com 6 estrelas no canto do ecrã, pelas ruas da célebre metrópole de Liberty City. Foi também por volta dessa altura que comecei a jogar Sims: o simulador virtual que abriu uma data de portas e janelas (literalmente) à minha imaginação.

E claro que nunca me vou esquecer do Spyro, das demos que saíam com a revista da Playstation, todos os meses (onde experimentei pela primeira vez o jogo do Spiderman, numa cidade sem chão), do primeiro "Crazy Taxi" ou até mesmo do "Starsky & Hutch" no seu Ford Gran Torino vermelho com risca branca, à paisana.


Mas enfim, acho que já me conformei com a ideia de que tudo isto nunca mais voltará, e que agora, cada dia é só mais um empurrãozinho nestas memórias para o fundo da gaveta.!



2 comentários:

Carolina disse...

Ele disse TUDO! Tenho um texto assim no meu computador e de vez em quando leio-o e reparo que tenho sempre a mesma sensação! O Ricardo disse tudo mesmo e é neste tipo de coisas que reparo que os miúdos de agora, daqui a 10 anos nao vão poder dizer o mesmo... Podem dizer que saiu o iPhone 5, o novo iPad ou que aderiram ao facebook com 9 anos.
Nós crescemos ao mesmo tempo do Harry Potter e da Hermione, tivemos uma infância como era suposto, a fazer corridas de carros e a jogar à bola na rua (:

lu de lúcia disse...

fantástico. HILARIANTE ATÉ.
e fez-me mesmo relembrar a minha vasta e enorme coleção de tazos. ai que saudades, se bem que a minha infância foi muito cruel, mas deixa saudades!