domingo, 30 de setembro de 2012

"Morre que és despesa"

   Esta foi a frase usada por Daniel Oliveira, cronista do Jornal Expresso, para retratar de forma critica o assunto atual da atualidade politica. 
   Parece ser esta a frase subentendida pelo governo, quando se trata de falar nos cortes no Sistema Nacional de Saúde (SNS). Tem se falado na possibilidade de se colocar uma legislação que limita o acesso aos medicamentos mais caros para tratar doenças como a sida ou o cancro.
   Como posso classificar isto? Imoral, irracional, uma medida sem escrúpulos, sem sensibilidade, desumana, sem ética, maldosa e desrespeitosa para com a condição do doente.
   Daniel Oliveira expressa tudo o que está no nosso interior, quando vemos esta medida ser pensada: «Que fique claro: para continuar a lutar por uma vida não vale tudo. Há coisas que se devem ter em conta. A vontade do doente. A sua qualidade de vida. O sucesso previsível do tratamento. Não os custos. Porque uma vida, um mês de vida que seja, não tem preço. É isso que separa a civilização da barbárie. E no dia em que o médico passa a contabilista sabemos que nada estará entre nós e quem tem de fazer as contas. Que alguém deixou de cumprir o seu papel. O do médico não é medir o valor financeiro dos últimos dias que vivemos. É lutar por nós.»


   Para concluir, quero relembra-vos que esta medida foi sugerida por Miguel Oliveira da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências Vivas. Ele refere que: 
"vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível, em termos de cuidados de saúde, todos terem acesso a tudo". Estando o maior representante de um conselho, que defende a ética na Ciência e no contacto desta com a Saúde, a proclamar a necessidade da existência de um acesso desigual a um bem essencial para a sobrevivência do ser-humano, só posso ficar surpreendido e lamentar todo este episódio muito contraditório e revoltante...










3 comentários:

Carolina disse...

Uma frase bem utilizada pelo Daniel Oliveira porque realmente é isso que dá a entender... Mas a partir do momento em que tiram as comparticipações de medicamentos para o lúpus já estou à espera de tudo...

microcéfalo disse...

O acesso à saúde, não se trata de uma esmola. Trata-se de aceder a um bem para o qual todos descontámos, ao longo da nossa vida activa.
Se não há dinheiro para a saúde, é porque os políticos o têm gasto em negócios ruinosos, onde o Estado assume os prejuízos e os privados ficam com os lucros.
No dia em que os descontos para a SS forem usados na SS, não vai faltar dinheiro para a saúde.
No dia em que o Estado deixar de pagar para esta gente dar "palpites", vão sobrar uns milhões no orçamento.

Pulseira disse...

É completamente surreal! Não consigo entender o que estas pessoas querem, já não falo em estudos e politicas económicas que não entendem nada do que fazem, mas a questão da saúde é desumano. Não é preciso ser inteligente, é só preciso ter coração e não olhar apenas para o seu umbigo.
Ele já pensou que há pessoas que não podem comprar esses medicamentos?!Quem são estas pessoas que apoiam estas medidas no corte a saúde. Como é que isto pode ser permitido?! Como!?